domingo, 7 de outubro de 2007

Nicola Vincenzio Crane

Numa das minhas consultas ao espaço cibernético inútil deparei-me com um personagem cuja história achei bastante interessante. O seu nome é Nicky Crane.
Nicky nasceu numa família classe média-baixa nos arredores da Grande Londres. A primeira particularidade de Nicky era o seu racismo. Era um bocadinho racista. Ok, era muito racista. Ok, pode-se dizer até que nos anos Oitenta liderou o movimento Neo-Nazi no Sudeste de Inglaterra.

Nicky espancou e vandalizou pessoas diferentes de si. Da sua cor de pele. Da sua sexualidade.

....Em Junho de 1992, Nicky apareceu no programa "Out" no Channel 4 a declarar a sua homossexualidade e a sua prévia vida dupla. Aparentemente Nicky não só era homossexual como era bastante activo, tomando parte de orgias no sul de Londres e fazendo videos pornográficos caseiros gay.

Morreu com uma doença derivada da SIDA de que padecia, em 1993

A minha pergunta é: "Se a sociedade não forçasse este individuo a esconder a sua verdadeira identidade, será que ele teria sido Neo-Nazi?"

Porque parece-me evidente que existe muita gente por aí que sobrecompensa a sua virilidade para esconder segredos "pérfidos". Quem diz Nicky Crane diz Larry Craig, Senador de Idaho nos EUA.

Larry Craig foi para a comunidade gay o que McCarthy foi para os comunistas. Promoveu a sanctidade do matrimónio heterossexual e condenou os "anti-natura", liderando uma "caça às bruxas" com o intuito de purificação da sociedade.
A 28 de Agosto de 2007 Larry Craig vinha negar à televisão nacional estado-unidense a suaconduta homossexual, a qual foi admitida por ele uns dias mais tarde.

E prefiro não falar nos escândalos da Igreja Cristã.....

Portanto...será isto fruto de uma sobrecompensação ou de uma negação absurda da própria natureza, e se assim é, poderia isto ter sido evitado pelo simples aceitar por parte da sociedade?

sábado, 29 de setembro de 2007

"...some have quit" parte II

...este post vem em respost ao que "Anónimo" comentou quanto à parte I.

"Não é uma questao de desistir mas sim uma sede de cada vez mais, mais que ninguem lhes pode fornecer."

Então, face a essa sede, desiste-se da procura? No topo não tens ninguém ao lado, como referiu "Anónimo". Mas então não devo ficar deprimido quanto à falta de respostas, mas antes desiludido com a falta de preserverança dos meus heróis? Porque se eles não tiveram hipótese de iluminação, não vou ser eu a alcançá-la.

James Matthew Barrie escreveu, sob a "máscara" de Captain Hook, em "Peter and Wendy", "death is the last, greatest adventure..."

Poderá ser o suicídio não um desistir mas um salto arriscado para um escuro e infindável passo com o fim de obter a última resposta?

Sir Walter Raleigh, explorador, disse no seu leito de morte "A long journey awaits me, I must bid the company farewell".

Não digo que os meus heróis procurassem um explicação religiosa ou uma experiência metafísica. Prefiro antes acreditar que "a curiosidade matou os gatos"...


...to be continued........eventually....

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Para o outro "Costa"

É verdade. Como foi comentado por Ricardo no post "para o "Costa"", eu fiz um piercing na orelha. Para me manter a par da moda? Sim muito provavelmente. Mas não conscientemente. A moda tem uma forma de funcionar que se manifesta da seguinte maneira: os valores, quer positivos, quer negativos, não nos são impostos. São-nos antes apresentados como uma hipótese e essa hipótese vai crescendo até ao momento em que sucumbimos a ela, apoderando-nos da originalidade. "Eu fiz um piercing porque gosto de me ver com ele...", mas como é que eu sabia antes de fazer? Provavelmente gosto de piercings em toda a gente, logo vou fazer um. Moda. Sim parece que "yours truly" é falível. Bastante falível. Mas não é fácil. É um longo caminho até à "iluminação" e muitos não o conseguem. A pressão exterior é hercúlea e o caminho é bastante isolador.

ps: (só o facto de chamar piercing ao que na realidade é um brinco, põe as coisas em perspectiva.)

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

"....some have quit"

"...to think of it, all my heroes could not live with it and I hope they rest in peace beacuse with us they never did..."
Tomas Kalnoky

O que nos leva a admirar alguém? No meu caso, o que me leva a admirar alguém é a sua obra, a sua compreensão do mundo. A maneira de ver as coisas que nos sobrepassam. Sob este parâmetro, a arte significa para mim o que o Homem mais perto esteve de conseguir respostas. A Resposta.
Mas ao crescer com eles comecei a reparar num certo padrão.
A música sobrescrita fala de vários artistas. Hemingway. Van Gogh. Camus. Cobain.
Todos eles foram inegáveis pontífices das suas respectivas artes.

Todos eles cometeram suicídio.

Se alguém está tão perto de descobrir as perguntas cujas respostas provavelmente nunca seberemos, o que o leva a terminar a sua própria procura antes de tempo? Hemingway vivia confortavemente entre "as banalidades de uma vida normal" e mesmo assim achou que esta não era existência para ele. Que hipótese temos nós, comuns inconscientes, de encontrar um sentido, quando aqueles que realmente procuraram, desistiram?

"every single soldier wasn't fired...some have quit"
Tomas Kalnoky

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Para o Costa

Quem decide o que é moda ou não? Temos escolha? Se a moda existe como um valor absoluto e por si só, então não estamos todos sujeitos a uma relação com ela, seja de que forma for?

Não temos qualquer tipo de escolha desde o momento que vimos a este mundo. Somos influenciados pelos valores de uma sociedade que nos rodeia. Não digo que sucumbamos a esses valores ou que os tomemos como válidos mas a questão é esta: para seres seja o que for, tens de "não-ser" o oposto.

"Eu não sigo a moda". Mas então estás sempre em desacordo com a moda o que significa que a segues, mas inverte-la. E porque é que não segues? "Porque não gosto" seria a resposta mais esperada. Porém, a mais acertada seria talvez, "porque os meus iguais não gostam".
Ao crescer em sociedade somos confrontados com escolhas de grupos, seja pela força social que têm ou pela indentificação com dito grupo. E quando finalmente ingressamos numa "associação de indivíduos, a tendência é homogeneizarmo-nos com o resto. Não é um protocolo consciente, não é uma escolha. É um instinto de alcateia.

Atiremos para a equação então o factor X. Moda.
Se desde criança cada um desses indivíduos aprende a gostar do que a sociedade lhe impingia, então teremos um grupo, equivalente a muitos outros a identificarem-se com a sociedade e a seguir os seus ritmos e mudanças.

O que é a contra-cultura senão um seguir a moda inversamente?

Isto é tão verdade que a contra-cultura e a cultura propriamente dita vão alternando entre si como valor de normalidade. Hoje em dia é moda fumar. É moda ser anti-sistema. É moda quebrar as regras. E alterna. E repete. E alterna.
E recomeça o ciclo.

Temos apenas duas escolhas nesta vida: ou sim, ou não. Ambas seguem à sua maneira os valores absolutos. São ambas a mesma resposta, de pontos de vista diferentes.

Iminência

Já falta pouco. Não que os nossos recursos vão acabar imediatamente mas estamos a chegar a um ponto em que não podemos voltar para trás.
A floresta da Amazónia, em todo o seu desmatamento, fornece apenas 20 porcento de madeira legalizada. O que significa que 80% do fornecimento é proveniente de apropiações ilegais de terra.
Os EUA detêm controlo da 3ª maior fonte de petróleo no mundo: o Alaska. No entanto essa fonte permanece intocável. O plano é consumir o petróleo do resto do mundo e no fim quando já não houver, deter o monopólio capitalista do crude. Isto deve-se ao facto de que os líderes do Médio Oriente mostrarem comportamentos hedonistas em vez de criarem alcerces para uma sociedade auto-suficiente que possa subsistir num panorama mais proteccionista.
Enquanto isso a Europa, como menino educado, observa os pais a discutirem pelo preço do petróleo sem nada poder fazer, tudo devido à agressiva política radicalista e separatista dos EUA.

Quanto a nós. Espreguiçamos e deixamos andar. Não nos preocupamos com energias alternativas. "São coisa do futuro". Pois bem, o futuro chegou e nós não estamos minimamente preparados para ele. E quando percebermos isso vamos refilar como um filho mimado.

Estamos a chegar ao fim.

Pena só termos este.

domingo, 23 de setembro de 2007

"morto" é exagero....




"Pages torn from books we never read because we're plugged in to this grid
don't pull the plug right now, then we'll really have to live.
When I die, will they remember or not of what I haven't done"
Tim McIlrath "Rumours of my Demise..."

Desliga a televisão. Está a dar alguma coisa? Ou estão a entreter-te?
Lê um livro. Exercita a mente. Deixa que quem ja percebeu te ensine. Marx disse "A religião é o ópio do povo". Marx não tinha televisão.

Mortos-vivos que riem quando ouvem riso. Choram quando ouvem palmas. Bocejam quando vêm letras. Levanta-te e traça um caminho. Um dia olha para trás e sente-te completo. "Ao menos tentei..."

"The revolution will not be televised"
Malcom X

A falsa vida que te chega pelo meio de cores vivas e sons berrantes está a substituir a tua reaidade. Mesmo que por uns minutos. Sai e aprende qualquer coisa nova. Faz alguma coisa por alguém. Escreve o teu nome na parede. Toca guitarra no metro. Lê poesia. Faz sexo na praia. Espera pela chuva. Dá um abraço a alguém.